Artigo

Quem ganhou e quem perdeu na Copa

Data da publicação: 17/07/2014
Autor(es): Flávio Aguiar

Dentro das quatro linhas, sabemos quem ganhou e quem perdeu. E fora? Quem ganhou?

1. O povo brasileiro. Foi o herói da Copa. Inicialmente desacreditado pela mídia tradicional dentro e fora do Brasil, tornou-se o campeão da hospitalidade: 98% de aprovação pelos turistas estrangeiros. Grande parte destes vinha da América Latina, fomentando a integração macrorregional.

2. As novas Arenas. Funcionaram todas, muito a contento. Sem os apagões decantados previamente em prosa e verso. Bom sinal para o seu futuro que, ao contrário do que sopram as más línguas, não está traçado. Está devidamente planejado. São uma aposta. A ver.

3. Os aeroportos. 4,1% de cancelamentos, 5.5% de atrasos, com um atraso médio de 7 minutos. Coisa de dar inveja a aeroporto europeu. 16,7 milhões de passageiros, 4 milhões diretamente envolvidos com a Copa, um show.

4. Brasil campeão: 83% dos turistas estrangeiros se declaram plenamante satisfeitos (pesquisa encomendada pelo Ministério do Turismo e outra do Datafolha), 92% aprovaram plenamente a segurança, 90% o sistema de informações ao viajante, 89% o transporte público. Milhões de brasileiros viajaram pelo Brasil, em busca de seus times prediletos.

5. A economia brasileira, naquilo que mais importa. Mais de um milhão de empregos criados, sendo 700 mil permanentes e todos, inclusive os temporários, com carteira assinada. 44 mil micro empresas participando com apoio logístico do Sebrae. Mais de um milhão de turistas estrangeiros, 95% afirmando que vão voltar. Vieram de 203 países. 83 mil dos EUA, país que era (não é mais) analfabeto em matéria de futebol. Outros campeões: Argentina, Chile, Colômbia, México. Uruguai (população pequena, mas veio em massa).

6. Last, but not least, a presidenta Dilma. Suportou insultos pessoais (a partir dos salões e camarotes VIP), que contaram com o repúdio de 75% nas pesquisas de opinião (Datafolha). Enfrentou tudo corajosamente.

Quem perdeu.

1. Os black, yellow e whiteblocs. Irmanados na tentativa de tumultuar o evento com o vandalismo material ou verbal, foram reprovados pela população: 75% de rejeição no caso dos insultos, 65% no caso das manifestações.

2. O “Não vai ter Copa”. Teve. Promoveram manifestações pequenas, sem expressão. Mobilizaram a polícia, não a população. De quebra, contribuíram para tirar o foco de reivindicações legítimas, esvaziando as manifestações com sua atração por quebra-quebras.

3. Os abutres, coveiros e goiabas de plantão, de jabores a aze(ve)dos, de álvaros dias a todos os que vaticinavam, do alto de suas certezas de pés de barro, que a Copa seria um desastre vergonhoso. A vergonha sobrou para eles e sua falta de credibilidade. Quanto aos goiabas, a casa lhes caiu em cima dos pés. Argumentos cediçamente malhados, como os de que os “gastos” públicos com a Copa deveriam ter sido aplicados na educação e saúde, não resistiram à análise dos fatos. Os investimentos devem ter retorno.

4. Os abutres, coveiros e goiabas da mídia e do plano internacional. Deu pena ver estudantes e gente bem intencionada na Europa – na Alemanha – apoiar o “Não vai ter Copa” achando que estava ajudando as reivindicações do povo brasileiro. Já na mídia a situação foi mais cínica. Houve uma falta de preparo generalizada. A maioria dos jornalistas por aqui trata o Brasil como se ele fosse uma aldeia perdida na mata, cheia de favelados e traficantes. Falta sofisticação, conhecimento, profundidade. Falta ver que é uma aldeia de 200 milhões de habitantes, com 8 mil quilômetros de largura e comprimento, 27 estados, além do Distrito Federal e quase 6 mil municípios, com uma economia bastante complexa, uma das culturas mais ricas do mundo. Mesmo os correspondentes estacionados no Brasil parecem prestar atenção apenas em três órgãos da imprensa diária, um da semanal e uma rede de tevê. Assim mesmo, houve exceções notáveis, de vários países. Verificar no NYTimes, The Guardian e até no Financial Times.

5. Aécio Neves. Perdeu algumas oportunidades de ficar calado ou de não aparecer. A receptividade inicial que demonstrou em relação aos insultos à presidenta, com o recuo posterior, foi vergonhosa. Depois, a foto com José Maria Marin, da CBF, que ele não mostrou, mas que o outro orgulhosamente postou, foi vergonhosa também. Para completar, a menção, diante da proposta racional de criar uma Agência de Desporto, de que a presidenta Dilma queria criar a “Futebrás”, só evidenciou sua má vontade, herdeira de FHC e do PSDB, com a Petrobrás. Eduardo Campos teve o bom senso de, depois da primeira gafe ao tergiversar sobre os insultos, calar o bico. Trocou de assunto ao prometer Passe Livre para todos os estudantes do Brasil. Como se ele fosse o prefeito dos quase seis mil municípios do país e governador dos 27 estados.

6. Joaquim Barbosa, que, no meio de tudo, viu o espaço de repercussão de suas atitudes bombásticas reduzido, e está saindo de cena à francesa. Mais ou menos como a seleção espanhola.

FONTE: Carta Maior