A pretexto de não prejudicar o aumento da produção de petróleo no país, a Petrobrás decidiu fazer as conversões das plataformas P-75, P-76 e P-77 na China, em detrimento do conteúdo nacional previsto em contratação firmada em 2012. O fato aumentou a insatisfação dos metalúrgicos do Rio e também as centenas de empresas da cadeia de fornecedores que ficaram sem serviços.
Para o diretor do Sindipetro-RJ, Emanuel Cancella, existe pressão dentro da Petrobrás para fabricar navios, transformar plataformas e construir sondas de perfuração no exterior. “Não podemos nos calar diante disso, pois representa a perda de milhares de empregos no país. Além do investimento realizado no exterior, há que se ressaltar também a perda de memória tecnológica”, critica Cancela, acrescentando que embora o custo aparentemente seja reduzido com as encomendas ao exterior, “o custo social para o país é imensurável”.
Ponderando que no período dos governos tucanos havia o mesmo argumento – do menor custo no caso das importações – o diretor do Sindipetro-RJ avisou que as próximas reuniões com a Petrobrás terão o tema do conteúdo nacional como destaque na pauta. “Vamos discutir o assunto também na Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) e no sindicato”. Cancella argumenta ainda que o país já atingiu a auto-suficiência em relação ao petróleo e não deveria haver tanta pressa de aumenta a produção. “Essa decisão significa um retrocesso na bem sucedida política de revitalização do setor naval”, resume o dirigente petroleiro.
As plataformas enviadas para a China fazem parte de um pacote de US$ 1,7 bilhão, mas a Agência Nacional do Petróleo (ANP) comunicou que só poderá agir no momento da fiscalização, quando as obras já estão em andamento.