Em depoimento à CPI da Petrobrás no Senado, o ex-presidente da empresa Sérgio Gabrielli advertiu para a existência de uma campanha para prejudicar a Petrobrás. E acrescentou haver especuladores e políticos brasileiros interessados em diminuir o poder da empresa, especialmente após a descoberta do pré-sal.
“A Petrobrás está sob ataque especulativo. Já existem vazamentos do WikiLeaks que mostram conversas entre políticos brasileiros e diplomatas norte-americanos colocando de forma clara que a prioridade é desmontar a lei que garante a companhia como operadora única do pré-sal brasileiro. São vazamentos, não sei se verdadeiros ou não, mas que mostram conversas entre certos políticos brasileiros e embaixadores e diplomatas norte-americanos”, destacou.
Reforçando as críticas de Gabrielli, o ex-deputado federal Ricardo Maranhão, que é conselheiro da AEPET, destaca que a campanha midiática contra a Petrobrás se dá em dois níveis: político, para atingir o atual governo, e comercial, já que as ações de especuladores derrubaram os preços das ações.
“As ações da Companhia já custaram R$ 48 e chegaram a cair a R$ 13. Imagine o quanto lucrou o grande investidor que as comprou na baixa somente com a recente valorização, para cerca de R$ 17”, comentou. Maranhão avalia que no médio e longo prazos haverá ganho certo para quem foge da especulação.
“Os índices mais importantes da companhia estão sólidos. A Petrobrás, nos últimos 10 anos, sempre descobriu e incorporou às reservas mais óleo do que ela produziu. Está saudável do ponto de vista das reservas, que são crescentes. ANP prevê que nos próximos sete anos as reservas dobrem, para 34 bilhões”, contabiliza, acrescentando que a empresa vem batendo recordes de refino e a produção no pré-sal se aproxima dos 500 mil barris diários.
“O enfraquecimento da Petrobrás interessa também a quem quer acabar com o regime de partilha, que garante à União a propriedade do petróleo do pré-sal e prevê a Petrobrás como operadora única, com participação mínima de 30% em todas as licitações”, acrescentou.
Sobre a liberação de pessoas supostamente ligadas a atos de corrupção na companhia, decidida pela justiça, Maranhão lembrou que o relaxamento de prisão é previsto na lei quando o réu não tem antecedentes que envolvam alto risco para a sociedade, como assassinatos, estupros e outros atos violentos. “Existe sempre o risco de fuga, mas provavelmente essas pessoas têm endereço fixo, não consta que sejam assassinos, etc. No entanto, dentro da campanha contra Dilma e a Petrobrás, todos os jornais estão criticando a decisão da justiça, mas os juízes não devem julgar de acordo com o que a imprensa diz”, finalizou.