Segundo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, em vez das atuais 44 horas, criaria 3,2 milhões de empregos. Em vista disto, as centrais sindicais, o Ministério Público do Trabalho, o próprio Dieese e outras entidades de trabalhadores se reuniram ontem, na Câmara dos Deputados, em Brasília, para o relançamento da campanha pela aprovação da PEC 231, que trata do tema.
O impacto da nova medida, ainda segundo o Dieese, seria de apenas 1,99% nos custos totais das empresas. Os trabalhadores ponderam também que o cidadão com mais tempo livre para o convívio com a família e para o lazer tende a ser mais produtivo, pois trabalha com maior grau de satisfação.
Silvio Sinedino, presidente da AEPET, endossa a posição das entidades ligadas aos trabalhadores. Sinedino, que é representante eleito dos funcionários no Conselho de Administração da Petrobrás, destaca que este debate deve ser travado levando-se em conta o enorme avanço tecnológico conquistado nos dias atuais e que deve ser repartido por todas as camadas sociais. “Somos absolutamente favoráveis à redução da jornada. Desde a revolução industrial, o tempo de trabalho caiu gradativamente até as atuais oito horas diárias, mas estagnou neste patamar”, aponta, acrescentando que os ganhos de produtividade que advêm do incremento tecnológico, quando beneficiam também os trabalhadores, têm efeito extremamente benéfico na economia como um todo.
No entanto, os empresários argumentam que a aprovação da PEC 231 reduziria ainda mais a competitividade do setor produtivo, devido ao aumento de custos. Outra conseqüência negativa para a economia, na visão empresarial, seria o aumento do desemprego e não a sua redução, como defende o Dieese.