Libra tem 11 interessados e pode render R$ 900 bilhões
A diretora geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Magda Chambriard, estimou nesta terça-feira que, em 30 anos, o campo de Libra pode oferecer retorno de ao menos R$ 900 bilhões, sendo R$ 300 bilhões em royalties e R$ 600 bilhões em participação de óleo (parte da receita dividida com o governo) para a União. O prazo para participar do leilão da primeira área do pré-sal a ser oferecida pelo governo sob o novo regime de partilha, marcado para 21 de outubro, acaba hoje. Segundo a diretora, até a tarde de terça-feira, 11 empresas haviam pago taxas – a inscrição custa R$ 2 milhões – e oficializado interesse. Mas, ao todo, 18 empresas compraram pacotes de dados sobre a área, a maior já ofertada no mundo, com 500 quilômetros quadrados e reservas estimadas entre oito bilhões e12 bilhões de barris. – No nosso caso base, que não vamos divulgar, teríamos um número da ordem de R$ 900 bilhões em 30 anos. Isso é dinheiro para ninguém colocar defeito – disse Magda, que lembrou que também haverá recursos devidos ao recolhimento de Imposto de Renda. Em seminário técnico sobre o leilão realizado nesta terça no Rio, participaram cerca de 300 executivos, entre representantes de escritórios de advocacia e de petroleiras, num sinal do forte interesse das empresas por Libra. Entre os presentes, estavam representantes das americanas Chevron e Exxon, a anglo-holandesa Shell, a britânica BP, a francesa Total, a norueguesa Statoil, a dinamarquesa Maersk, a colombiana Ecopetrol, a espanhola Repsol, a malaia Petronas, a indiana ONGC, a japonesa Inpex e a chinesa CNOOC, além das brasileiras Petrobrás e HRT. Durante audiência pública da CPI da espionagem no Senado, a diretora geral da ANP descartou o risco de o leilão ser prejudicado pela denúncia invasão dos arquivos da Petrobrás pela Agência Nacional de Segurança (NSA) dos EUA. – Não vemos razão para postergar. Garantido o acesso aos dados da forma mais conveniente, garantida a igualdade de oportunidades para diversos agentes econômicos, sob o nosso ponto de vista, o leilão tem toda condição de seguir em frente – afirmou. – Além disso, as empresas associadas ao banco (de dados de exploração e produção de petróleo) já têm dados dessas áreas desde 2010, porque a ANP não trabalha para licitações com dado confidencial. A diretora informou que o banco de dados tem 13 anos de existência e 44 empresas associadas. E ressaltou que qualquer pessoa física residente no país e qualquer empresa constituída sob as leis brasileiras pode comprar as informações. Ela afastou a possibilidade de espionagem no banco de dados, pois ele não é conectado à internet. – Para roubar essas informações, preciso de um espião paranormal – disse. No leilão de Libra, a empresa ou consórcio que oferecer a maior parcela de receita líquida a ser dividida com o governo (o chamado excedente em óleo) ganhará a disputa. Pelas regras do edital, a participação mínima do governo no excedente em óleo será de 41,5%. Não está previsto pelas regras o ressarcimento do bônus de assinatura, fixado em R$ 15 bilhões.