Artigo

A Quebra do Monopólio do Petróleo no México

Data da publicação: 13/12/2013

A quebra do monopólio do petróleo no México

Desde o Governo Calderon, o cartel internacional do petróleo pressiona pela extinção do monopólio estatal exercido pela Pemex. A mais nova das irmãs, a Repsol, do grupo Rotschild, adquiriu redes de comunicação no México e comandou a campanha para essa quebra. Em 2008, convidado pela associação dos engenheiros da Pemex, estive na cidade do México e dei entrevista para diversos órgãos de comunicação como o jornal La Jornada e a TV CNN en español, para a jornalista Carmen Aristegui. Nesta entrevista mostrei que a quebra do monopólio no Brasil foi muito ruim para o país. Terminei dizendo que não era a Pemex que devia copiar a Petrobrás, mas ao contrário era a Petrobrás que deveria copiar a Pemex e retornar o monopólio.

A entrevista teve boa repercussão, atos públicos ocorreram em todo o país e o presidente Calderon recuou. Mas não desistiu e passou a fazer contratos com empresas privadas para produzir o petróleo. Além disto, o Governo passou a se apropriar cada vez mais dos lucros que a Pemex obtinha, chegando a se apropriar de 75% da renda atual da companhia. Com isto, os investimentos da Pemex foram sendo cada vez mais restringidos, pois a burocracia do Governo não a deixava ter liberdade orçamentária para investir. Assim, a produção vem caindo e o Governo alega a necessidade da vinda de recursos externos para por em produção a área nova do campo da Chicontepec, cujas reservas são estimadas em valores da ordem de 50 a 100 bilhões de barris.

Em 2013, eu e o Paulo Metri estivemos novamente em Guadalajara e na cidade do México fazendo palestras. O Metri, que foi depois do leilão de Libra, mostrou aos mexicanos o que pode acontecer de ruim se o monopólio for quebrado. O problema é que os políticos nacionalistas, como Lopes Obrador e o Senador Bartlett foram ficando isolados por uma campanha maciça da Mídia. Ambos saíram do PRD e fundaram um partido pequeno, o Movimento Renovador Nacional. Agora o PAN, ex-partido de oposição, “aderiu” ao governo (PRI) e, juntos massacraram a oposição. Como disse a consultora do setor, Paula Barbosa (O Globo 12.12.2013), “as gigantes do petróleo (majors – ou cartel) vão desenvolver atividades no México com toda a força. Isto porque elas precisam de reservas, que nos últimos anos vem crescendo pouco”. E acrescentou: “as National Oil Companies – estatais é que vem elevando suas reservas por contarem com o apoio de seus governos”.

Disse ainda: “as petrolíferas precisam agregar reservas e estão enfrentando dificuldades nos últimos anos. Por isto, acredito que vão com tudo para cima do México”. E não foi outro o motivo pelo qual elas vieram com tudo para cima do campo de Libra e conseguiram que o Governo Dilma batesse o recorde de entreguismo de FHC. E virão para cima do pré-sal como um todo. Agora querem tomar o campo de Franco da Petrobrás, alegando que ela comprou-o com supostos 3 bilhões de barris e agora ele já supera os 10 bilhões. Ignoram que a lei diz que reservas estratégicas têm que ser entregues a Petrobrás sem leilão. Mas aqui como no México o cartel coopta os poderes Executivo, Legislativo e o Judiciário. No leilão de Libra ficou explícita essa cooptação:

1) o Edital do executivo é tão ruim que conseguiu anular a conquista de Lula. O contrato de partilha ficou próximo ao de concessão de FHC;

2) Conseguimos na Câmara assinaturas necessárias para o Decreto Legislativo que cancelava o leilão. Na hora da votação o PDT e o PR retiraram as suas assinaturas;

3) O edital transgride a Legislação em, pelo menos, 3 artigos: O TCU não impediu o leilão e o judiciário não concedeu as liminares, só alertaram a ANP.

Como disse o jornal Financial Times, se o cartel não conseguir reservas de petróleo, em 5 anos ele vai desaparecer. Como o integram as maiores empresas do mundo, e elas tem um poder proporcional ao seu tamanho financeiro, mandam até no Governo americano, que lhes disponibiliza as forças armadas. Portanto, se os brasileiros não se conscientizarem que tem que ir para as ruas defender nossas riquezas, em breve o cartel irá se apropriar do pré-sal, o nosso futuro. A mídia americana chegou ao desplante de anunciar que a Petrobrás tem 32% de chance de quebrar em dois anos. Isto explica a campanha insidiosa da nossa mídia, submissa, para enfraquecer a Petrobrás. Trabalharam a falácia do PSDB de 2010, que a Petrobrás não tem recursos para explorar o pré-sal.

E muitos brasileiros inocentes acreditaram. Só que a Petrobrás tem o maior conjunto de reservas, já descobertas, do mundo: 74 bilhões de barris (14 antes e 60 no pré-sal). E quem tem este ativo, o mais valioso para garantir empréstimos, tem crédito fácil e recursos à disposição a juros baixos. Não vamos cair na armadilha mexicana. Chega de entregar o nosso futuro.