Plenária discute mais lutas contra os leilões do petróleo
Reunidos nesta quarta-feira (30), no auditório do Sindipetro-RJ, Centro do Rio, as organizações que integram a Campanha O Petróleo Tem que Ser Nosso fizeram um balanço das manifestações contra os leilões de petróleo realizados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), notadamente o megacampo de Libra, e definiram uma série de atividades, incluindo reforço na estrutura, na organização e a promoção de reuniões permanentes, para fazer frente aos próximos leilões já anunciados pelo Governo Dilma Rousseff.
Entregue (em 60%) às multinacionais no dia 21/10, o leilão de Libra, o maior da história, foi realizado pela presidente Dilma, que se utilizou de forte aparato militar para reprimir as organizações e lideranças populares, contrárias a entrega do pré-sal às multinacionais.
As lideranças reunidas na plenária desta quarta-feira, avaliaram que a Campanha O Petróleo Tem que Ser Nosso lutou bravamente (e sem recuo em nenhum momento) contra o leilão e o forte repressão montado em frente ao Hotel Windsor, na Barra da Tijuca.
Foram debatidas diversas questões sobre os leilões da ANP, com destaque para medidas que visam suspender o de Libra – existem mais de 20 ações populares em tramite na Justiça. A resistência ao leilão uniu sindicalistas, estudantes, sindicatos de diversas categorias, centrais sindicais, movimento de mulheres, de negros, entre outros.
O diretor do Sindipetro-RJ, Emanuel Cancella, sublinhou que a manifestação contra o leilão de Libra (21/10), foi muito positiva, não só pela crítica contra a entrega de nosso petróleo às multinacionais mas pelo fato da Campanha O Petróleo Tem que Ser Nosso ter conseguido quebrar o silêncio da imprensa grande em relação às críticas dos movimentos sociais aos leilões.
Cancella disse, ainda, que a luta contra o leilão de Libra continuará, pois não há nada garantido, nem para a Petrobrás, que saiu do leilão com 40% de participação – 30% previsto pela Lei de Partilha, acrescido de 10% de ampliação.
A reunião decidiu preparar manifestações contra o próximo leilão de petróleo, marcado pela ANP para novembro deste ano.
O diretor do Sindipetro-RJ, Francisco Soriano, propôs diversas ações, entre elas “patrulhas populares” contra nomeação de quatro diretores para a estatal que administrará o pré-sal, a Pré-Sal S.A, que são ligados ao setor privado, às multinacionais, ao ex-diretor da ANP David Zylbersztajn, do período FHC. São eles: Oswaldo Pedrosa, Edson Nakagawa, Renato Matos e Antônio Cláudio Pereira da Silva. Eles ainda passarão por uma sabatina no Senado Federal. “Vamos fazer patrulhas contra esses entreguistas”, exortou Soriano.
A editora da Agência Petroleira de Notícias, Fatima Lacerda, propôs a intensificação de reuniões permanentes, orgânicas e formação de núcleos da Campanha O Petróleo Tem que Ser Nosso em diversos locais.
O coordenador da FIST, André de Paula, destacou a necessidade de popularização da campanha, com linguagem mais acessível ao trabalhador, entre outras iniciativas que radicalizem a luta contra a entrega do nosso petróleo.
Foi destacado também o importante reforço dos petroleiros em greve, dos bancários, dos professores, entre outras categorias, que incluíram moções e propostas contra o leilão de Libra.
O diretor do Sindipetro-RJ, Edison Munhoz, ressaltou que a resistência ao leilão de Libra foi brava, sobretudo pela disparidade de forças que se enfrentaram na Barra da Tijuca – de um lado trabalhadores desarmados e de outro um aparato de guerra, em favor do sistema financeiro internacional. “Estamos lutando contra o império capitalista. Vamos aprimorar nossa luta, que tem sido brava contra esse império”.
Clarckson Nascimento, diretor da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), exaltou a resistência ao leilão, não só na Barra da Tijuca como em diversas cidades brasileiras. Para ele, a resistência ao leilão de Libra foi um marco, uma das maiores já realizadas contra os leilões de petróleo. Destacou, ainda, que este leilão está sub judice, com mais de vinte ações transitando na Justiça, devido às diversas irregularidades encontradas no edital de licitação, entre outras.
Marcelo Durão, coordenador do MST-RJ, fez um balanço do Ocupa Petrobrás e elencou uma série de aprimoramentos a serem implementados. Ele avaliou positivamente o ato contra o leilão de Libra.
Os petroleiros aprovaram em assembleia a renovação da contribuição de 1% do salário, por um período de dois meses, à Campanha O Petróleo Tem que Ser Nosso. Assim, a luta contra os leilões ganha mais um importante reforço.